segunda-feira, 29 de setembro de 2008

A Primeira Vez.

(No Café)

"Ando tão carente. Nem acredito que falo isso pra você. É tão íntimo e, sei lá, vergonhoso ao mesmo tempo".
"Ainda com problemas com o Nestor?"
"Mais do que nunca. Ele sequer me olha. É como se não tivesse nada do meu lado".
"Gostaria que fosse feliz".
"Se fosse, provavelmente não lhe conheceria. E isso foi uma das coisas boas que a vida me trouxe".


Neste momento ela pousa a mão sobre a minha. Não tinha contato físico com ela a um certo tempo. Apesar de haver um feeling no ar e nos encontrarmos frequentemente era ela que ditava os gestos. Acima de tudo eu não a desejava como amante. Gostava de emprestar minhas orelhas aos seus conflitos de mulher aos quarenta muito mais que beber seu sexo. O telefone toca. Ela atende. Olho ao redor e percebo as pessoas sentadas envolta de nós. Precisávamos de isolamento. Deus, como queria parar o tempo.


"Que tal ir pra praia? O apartamento está arrumado". Ela diz.


Dirigiu em silêncio. Pousava de quando em quando sua mão em minha coxa. Ao chegarmos foi trocar de roupa. Intencionalmente ou não se trocou na minha frente sem nenhum pudor. Não queria que eu a tocasse, queria apenas se sentir desejada. E saimos para caminhar.
De frente para o mar o calor do seu corpo passava para o meu e seu perfume se misturava ao cheiro do mar que o vento trazia.


Anoiteceu. Velas acesas e luminárias deixavam o ambiente mais íntimo. O cheiro da sua comida dava vida ao lugar. Estava feliz. Cantarolava uma música e bebia seu vinho preferido. Conversamos por muito tempo e o frio levava nossos corpos a proximidade. De repente ela se calou. Largou o cálice na mesa e puxou minha mão.


A cama tinha lençois limpos. E macios. A sensação de deitar neles era maravilhosa. Mais do que isso sentir seu perfume forte e sua pesença ali era quase um êxtase. Seu corpo quente próximo ao meu traduzia o ponto de partida entre o fim e o começo. E adormeci em seus seios.

2 comentários:

Mamba Negra disse...

Muito bom adormecer no seio de alguém!

Dra. Gô disse...

Nem me diga! É uma realidade sem comparação. A Dra. agradece de coração sua visita.
Abraço!