quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Something new

Dreams I have dreams
when I´m awake when I´m asleep
And you you are in my Dreams
You´re underneath my skin how am I so weak
And now in my dreams
I can feel the way I can just come clean
I keep it to myself I know what it means
I can´t have you Well I have dreams

How long can you hold your breath?
Can you count to ten can you let it pass
To keep can you keep it in
Keep it behind lashes can you make it last

And now in my dreams
I could feel the way I can just come clean
I keep it to myself I know what it means
I can´t have you Well I have dreams
Oh I have dreams I have dreams

Mind can you read my mind
Is it come undone am I showin signs
And now in my dreams
I can feel the wait I can just complete
I keep it to myself I know what it means
I can´t have you Well I have dreams

terça-feira, 28 de julho de 2009

22


22

Tenho quase certeza de que te vi ontem. Passaste rápido, quase correndo. Não sei aonde irias ou atrás de quem irias. Isto pesou no meu dia.

Invariavelmente voltei ao passado. Voltei as curvas do teu corpo e ao teu delicioso sorriso. Voltei ainda as quentes noites de verão quando, na sacada, deitávamos bebendo qualquer coisa refrescante e contemplávamos as luzes da cidade. E depois fazíamos amor.

Mas o dia estava frio. O vento percorria minha alma enquanto eu esperava ali quando te vi. Há quanto tempo mesmo havíamos nos despedido? Havíamos mesmo? Um pequeno som de tristeza percorreu minha alma. E em breve me lembrei daquela doce melodia triste que tu tanto gostavas. E tu insistias para que eu a tocasse. E desde então eu nunca mais a toquei. Como era ela mesmo?

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Fragmentos.

I


Estava ali meu objeto de desejo. Acompanhava seu namorado marombado de pinto pequeno. Feliz feito um bugio, ela ria como uma hiena. Tentei dizer isso pra ela. Mas ela não entendeu e me perguntou quem era a Hiena.

Em determinado momento, sentou-se do meu lado. Levantei meu copo em sua homenagem. Era a terceira ou quarta capirinha? Meu pensamento já estava mais lento. Minhas ações mais demoradas. Minhas impressões sobre a vida mais alegres. Pôs a mão sobre a minha coxa.
- Ainda me lembro daquela noite.
Filha da puta, pensei. Vaca. Resolvi me fazer de desentendida.
- Olha só. Com tantas noites, justo aquela. - Disse ligeiramente devagar estas palavras. Sua mão pressionou minha coxa.
- Poderíamos repeti-la.
Filha da puta, pensei de novo.
Fiquei em silencio.

Anoitecia.


II


Conversávamos. E ela me perguntou se eu tinha algum pedido a fazer. A única coisa que pude pensar a dizer a ela era esteja maravilhosa. Seu sorriso malicioso não me deixou pensar outra coisa. E dali, até nosso furtivo encontro, pensei em como ela estaria. E eu sabia que não iria me decepcionar.


III


Mas o dia amanheceu. E amanheceu mal. Não deveria ter amanhecido. A noite deveria ser eterna. A janela aberta deixava um vento frio entrar. A claridade mostrava toda a bagunça do quarto: reflexos da noite anterior. Ela se levantava pé ante pé. Difícil era sair do aconchego do edredom. Pela janela só se via brumas. Não era inverno, mas fazia frio; tampouco outono, mas as brumas cobriam todo o horizonte a as casas ao redor. O despertador tocava uma música. As palavras e a melodia melancólica ditariam o dia.


I am missing someone but I don't know who
Now I'm standing alone and I'm trying to remember
Sometimes I wonder how I ever started loving you
Someone help me understand why I'm still love you




sábado, 6 de junho de 2009

Treze

Se você pudesse saber quem eu sou certamente me amaria. Mas desconfio que já me amas, por isso tratou de desaparecer. Fica mais fácil enganar o coração e se esquecer de mim. Personagem fantástico, que me encantou só pelo olhar que me lançou. Não penso em conhecer as linhas do teu corpo ou o gosto do teu beijo. Ou acabo por pensar? Creio que não me contentaria apenas com os seus lindos olhos, piscando, enquanto conversas comigo.

Eu sei, é tarde e amanhã precisamos trabalhar. No fundo não me importo. Peço mais uma cerveja. O álcool vai diminuir minha tristeza quando você se levantar e pegar as chaves do carro. Quem sabe me dá uma carona, mas acredito que você tem medo e quer distância. A cerveja começa a fazer efeito. Eu relaxo enquanto sua tese de doutorado entra em minha cabeça. Através das palavras começo a desejar percorrer teu corpo. O movimento dos teus lábios me guiam para o teu prazer. Acordo do meu delírio com você pedindo a conta ao garçom. Você se desculpa por ter que ir e eu não sei se é de verdade ou de mentirinha. Espero pela palavra mágica, mas você é mulher sabida e não vai se arriscar a me dar carona. Aliás, nem precisa. Moro tão perto daqui, que minhas noites quentes de verão serão sentadas na sacada com um copo na mão e música nos ouvidos.

Você sabe que gosto de você. Às vezes penso que faz de propósito. Levantou. Eu levantei. Me beijou na bochecha. E o seu até logo entrou surdo na minha alma. Qual a distancia daqui até a tua casa? – me pergunto. Certamente a distância até o teu coração. Meu olhar implora feito criança pequena me leva contigo. O teu, ah, esse teu olhar também troca com o meu a mesma súplica porque não vens comigo? Eu vejo em teus olhos. Eles brilham. Você atravessa a rua até o carro. Eu a observo se afastar.

Em um segundo fantástico, dou dez pro garçom e corro até você. – esqueci de te dizer uma coisa – vou logo avisando. O que? Você pergunta. Eu gosto tanto de você. Seus olhos parecem surpresos. Deus, pensei, talvez ela não tenha desconfiado. De surpresos eles passam a maternais. Juro que os vi ficar cheios d’água.

Ela entrou no carro. Fechou a porta. Eu a vi suspirar lá dentro. Ela abriu a porta e mandou eu entrar.


sexta-feira, 22 de maio de 2009

A Pedido.

Encontravam-se sempre as quintas-feiras, depois do trabalho. Comiam qualquer coisa e tomavam banho por lá mesmo. Mas de uma coisa ela nunca se esquecia: de pedir para a outra estar maravilhosa. Os encontros duravam a noite toda. Despediam-se ao amanhecer em algum ponto da cidade. Conheceram-se assim também, em algum ponto da cidade.

Mas naquelas noites maravilhosas certos tabus nunca eram quebrados; certos silêncios nunca ultrapassados. O limite havia sido estabelecido pelo não falar, pelo não agir. Havia um certo não limite na sua delimitação que o conduzia ao total limite.

Certa noite, após amá-la com todo seu coração, ela achou que era a hora de quebrar o silêncio. Deitada na cama ela contemplava a outra, deitada de bruços com as coxas cobertas pelo lençol. Disse ela que deveriam se casar. E se calou. A outra não se mexeu. Um músculo sequer. Parecia mesmo não tê-la ouvido. Sua súplica era verdadeira. Talvez seu desejo não tenha sido expressado muito bem. Ela repetiu novamente que deveriam se casar. Que não sabia mais o que fazer. Que pensava na outra dia e noite. Que queria possuir seu corpo, sua vida, seu ar muito mais do que aquilo. Tão efêmero, pensou. Tão aguardado. É um pedido, ela disse. Devo publicar no jornal, pensou?

Finalmente os lençóis se mexeram. A outra contemplou seus olhos. Não os olhou profundamente. Em silencio, desviou os olhos. A barreira foi ultrapassada. O céu é o limite.





terça-feira, 5 de maio de 2009

Capítulos

- E numa manha nublada e fria ela foi embora. Arrumou suas coisas e disse que ia pra casa de uma amiga. Eu bem que sempre desconfiei daquela amiga, mas fazer o que? Disse que não dava, que o problema era com ela, não comigo. Até pensei que poderia consertar.

....

Ela era uma mulher maravilhosa. Mas não conhecia bem seu potencial. Ou estamos falando de limites? Eu disse que poderíamos viajar ou pegar o carro e sumir. Minhas intenções sempre foram verdadeiras. Mas o caminho que nós tomamos talvez não.

....

Depois os dias se tornaram iguais. Um dia após o outro me diziam, Né? Eu queria telefonar e dizer que ela poderia me chamar a qualquer hora, mas aos poucos compreendi que não adiantava. Nunca as letras de uma música fizeram tanto sentido. Ela roubou o meu coração. E não devolveu mais.

- E assim você veio parar aqui, ahn?
- É. A história de uma vida né?

Levantamos com as mochilas nas costas e continuamos o caminho.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Quinze.

No inicio não nos notáramos. Eram apenas conversas vagas inspiradas pelo tempo que obrigava nossa proximidade. Mas aos poucos o mesmo tempo que obrigava passou a oferecer o prazer da convivência. E do prazer surgiu o desejo. O mesmo instinto ressonante que se apodera de nós sem que percebamos. Acordei e a vi ali, nua e dormindo e, naquele momento, fui possuída. Lavei o rosto. Não deveria, racionalmente, deixar aquilo tão selvagem e dissonante tomar conta de mim. Mas no inicio não nos notáramos. No início.

Tudo eram rosas. Seu sorriso e suas lágrimas. Seu corpo alvo e belo, límpido e claro. Era como possuir algo pela primeira vez.

E o instinto venceu. Numa madrugada estrelada as bocas se encontraram e a mágica aconteceu. Ela tomou minha mão enquanto subia a escada e no quarto trancou a porta. Não importava mesmo se estivesse cheio. Mãos e bocas com desejo; pernas se entrelaçavam de tesão. Contra a parede eu sentia seu perfume e o gosto doce de seus lábios. Suas mãos sentiam todo o meu corpo e logo as roupas eram adornos de chão. Corações disparados, gemidos entrecortados pelo barulho do exterior. Seus olhos me fitavam profundamente. Não sei o que procuravam. E ainda procuro descobrir. Era dia 15.