segunda-feira, 30 de março de 2009

Quinze.

No inicio não nos notáramos. Eram apenas conversas vagas inspiradas pelo tempo que obrigava nossa proximidade. Mas aos poucos o mesmo tempo que obrigava passou a oferecer o prazer da convivência. E do prazer surgiu o desejo. O mesmo instinto ressonante que se apodera de nós sem que percebamos. Acordei e a vi ali, nua e dormindo e, naquele momento, fui possuída. Lavei o rosto. Não deveria, racionalmente, deixar aquilo tão selvagem e dissonante tomar conta de mim. Mas no inicio não nos notáramos. No início.

Tudo eram rosas. Seu sorriso e suas lágrimas. Seu corpo alvo e belo, límpido e claro. Era como possuir algo pela primeira vez.

E o instinto venceu. Numa madrugada estrelada as bocas se encontraram e a mágica aconteceu. Ela tomou minha mão enquanto subia a escada e no quarto trancou a porta. Não importava mesmo se estivesse cheio. Mãos e bocas com desejo; pernas se entrelaçavam de tesão. Contra a parede eu sentia seu perfume e o gosto doce de seus lábios. Suas mãos sentiam todo o meu corpo e logo as roupas eram adornos de chão. Corações disparados, gemidos entrecortados pelo barulho do exterior. Seus olhos me fitavam profundamente. Não sei o que procuravam. E ainda procuro descobrir. Era dia 15.


2 comentários:

Anônimo disse...

Sou sua fã Dra. Gô...seus escritos são maravilhosamente interessantes! Bjos Karyne

Marcia disse...

Oi Dra:

Senti todo o perfume desse conto lindo.Fiquei com receio de perdê-lo de vista,pois estava de férias com a namorada.Fiquei aliviada de voltar a tempo de ler com calma.Adorei.Um grande abraço.