sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Silêncio.

O telefone Toca.

- alô.
Silencio. Segundos depois uma voz indecisa.
- Oi.
Silencio novamente. Aquela voz. Seria verdade? A voz indecisa responde novamente.
- Oi.
- Oi.
Sim, era aquela voz. Imediatamente seu coração gritou. Berrou. No silencio do fone, duas almas se encontravam.
- Desculpa te ligar. Eu não deveria. Mas queria te falar umas coisas. Engasgadas, entende?

Sim. Ela deveria entender. Coisas engasgadas? Todo mundo tem coisas engasgadas em um ou outro momento da vida. Engasgos e tormentos.
Ela não respondeu. Silencio novamente. Deus, aquela voz novamente? Há quanto tempo não a ouvia? E porque seu coração bradava gritos de protesto? Ou eram gritos de satisfação que não poderiam ser controlados?
Ao fundo uma música começou a tocar de repente. Sua melodia suave interrompia o silencio. Ela se espichou e abaixou o volume. Ela queria o silencio.
- Eu preciso dizer. Não sei se você vai ouvir. Mas eu preciso.

Medo. Medo de ouvir? Medo daquela voz que já havia sussurrado em seu ouvido coisas boas em momentos outrora bons. O que viria a seguir? O som surdo do telefone sendo desligado era uma opção. Mas qual seria o sentido daquelas palavras ao vento, assim, de repente, que não o reencontro?
- Eu gosto de você. Tenho pensando em você nos últimos dias com bastante freqüência. Isso não acontecia há algum tempo já. Achei que tivesse perdido o que quer que tenha sido entre nós. Mas ai de alguma maneira voltou e eu queria que você soubesse.

Silencio. Ela não sabia o que responder. Suas mãos estavam geladas. No outro cômodo ela ouvia o som de panelas sendo remexidas na cozinha. Fechou a porta. O que ela mais queria era o silencio. E o doce som daquela voz em seus ouvidos novamente.
- Desculpa. Não deveria ter ligado.

I didn't mean to waste your time
So I'll fall back in line
But i'm warning you we're growing up

Ela não havia dito nada. Apenas ouvia. Mas achou que deveria dizer algo. Depois de um longo suspiro.
- Eu também. Sempre.

E o silencio já não era desconfortável. Nunca foi.


Um comentário:

Marcia Paula disse...

Tem hora que os sinais abandonam a gente,temos tudo:voz,corpo,alma,coração e a mente cheia de palavras que nos escapam de repente.Mas,só um olhar , o som de uma risada ou um suspiro podemos dizer tanta coisa,não é?Quando pedi minha atual namorada em casamento pela segunda vez ela não disse nada,mas eu notei uma veia que saltou do seu pescoço e soube que era um sim.Beijos grandes.