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Tenho quase certeza de que te vi ontem. Passaste rápido, quase correndo. Não sei aonde irias ou atrás de quem irias. Isto pesou no meu dia.
Invariavelmente voltei ao passado. Voltei as curvas do teu corpo e ao teu delicioso sorriso. Voltei ainda as quentes noites de verão quando, na sacada, deitávamos bebendo qualquer coisa refrescante e contemplávamos as luzes da cidade. E depois fazíamos amor.
Mas o dia estava frio. O vento percorria minha alma enquanto eu esperava ali quando te vi. Há quanto tempo mesmo havíamos nos despedido? Havíamos mesmo? Um pequeno som de tristeza percorreu minha alma. E em breve me lembrei daquela doce melodia triste que tu tanto gostavas. E tu insistias para que eu a tocasse. E desde então eu nunca mais a toquei. Como era ela mesmo?








